RONALDO MORENNO

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A descoberta que dobrou a vida humana


Como um fungo esquecido em um laboratório transformou infecções fatais em doenças tratáveis e mudou o destino da humanidade.

Durante a maior parte da história, a humanidade viveu sob a constante ameaça de infecções bacterianas. Antes da era dos antibióticos, um simples corte na pele, uma extração dentária ou mesmo um parto podiam evoluir para quadros fatais. Pneumonias, tuberculose, infecções urinárias e sepse estavam entre as principais causas de morte.

Isso se refletia diretamente na expectativa de vida. Na Pré História, médias de cerca de 25 a 30 anos eram comuns. No Egito e na Roma Antiga, giravam em torno de 30 a 35 anos. Na Idade Média, dificilmente ultrapassavam os 40. Mesmo em 1900, antes da disseminação dos antibióticos, a expectativa média global era de cerca de 45 a 50 anos.

Na virada do século XX, as doenças infecciosas eram responsáveis por mais da metade de todas as mortes no mundo. Estimativas históricas indicam que entre 30 e 50 milhões de pessoas morriam todos os anos por infecções, incluindo tuberculose, pneumonias, diarreias infecciosas, sífilis, sepse e infecções de feridas.

A grande revolução começou em 1928, em um laboratório em Londres. O médico e microbiologista Alexander Fleming notou que uma de suas placas de cultura bacteriana havia sido contaminada por um fungo e que as bactérias ao redor simplesmente não cresciam. A substância produzida pelo fungo Penicillium notatum era capaz de matar bactérias. Essa descoberta ganhou o nome de penicilina.

Embora promissora, a descoberta ainda não estava pronta para o mundo. Foi apenas na década de 1940 que os cientistas Howard Florey e Ernst Boris Chain descobriram como purificar a penicilina e produzir o medicamento em grande escala. Durante a Segunda Guerra Mundial, soldados feridos começaram a ser tratados com sucesso e rapidamente o antibiótico foi adotado mundialmente.

O impacto foi profundo. Infecções que antes matavam tornaram-se tratáveis. Cirurgias tornaram-se procedimentos de rotina. O risco de morte no parto diminuiu substancialmente. Doenças como pneumonia, sífilis e tuberculose passaram a ter tratamento eficaz. A expectativa de vida global, que até o início do século XX estava abaixo de 50 anos, hoje ultrapassa 70 anos em grande parte do mundo.

Em 1945, Fleming, Florey e Chain receberam o Prêmio Nobel de Medicina. O verdadeiro prêmio, porém, foi coletivo. A humanidade ganhou tempo de vida. Hoje é difícil imaginar que um simples corte pudesse ser mortal. Mas foi exatamente esse tipo de risco que os antibióticos eliminaram. Por isso, sua criação é considerada uma das maiores revoluções invisíveis da história da ciência.

Ronaldo Morenno é reverendo, professor devidamente registrado no Ministério da Educação e jornalista profissional, matrícula MTB 0096132, São Paulo.